Tem gente que quer ser mandada embora do Santander, diz diretor do banco

Em meio à insatisfação de funcionários que não querem voltar ao trabalho presencial na sede do Santander durante a pandemia, o diretor de marketing do banco, Igor Puga, disse que está acontecendo um “efeito sindical”.

“A gente, ainda compulsoriamente, tem um histórico de muita gente que é ex-Banespa, ex-Banco Real, que infelizmente é oportunista neste aspecto, porque quer ser mandado embora, porque tem uma indenização enorme. Tanto que o sindicato está forçando a barra em relação a essa situação”, disse o executivo em um grupo de WhatsApp no sábado (16).

Segundo Puga, o Santander convocou recentemente apenas uma pequena parcela de seus profissionais que hoje fazem trabalho remoto para que eles substituam as pessoas que estão atuando sem folga no regime presencial. Ele afirma que estão no escritório só 300 dos 6.000 funcionários da sede, ou seja, 5% do total.

“Dado que muitas dessas pessoas estão exaustas e absolutamente esgotadas porque estão trabalhando em um regime de mutirão e esforço pleno nestes 60 dias continuamente, muitas vezes nem tendo final de semana em algumas das operações que eu mencionei, principalmente de segurança de informação e de TI, houve um chamamento para que parte dos subordinados diretos desses viessem ao retorno para que esses pudessem descansar um pouco. Então, não é gente voltando a trabalhar. É um rodízio para dar pelo menos um fôlego, um descanso”, diz o executivo.

Procurado pela coluna, Puga não se manifestou. O banco disse em comunicado que “não comenta opiniões e comentários feitos em âmbito privado por qualquer um de seus colaboradores”. No áudio, que o diretor publicou em um grupo de WhatsApp com 229 pessoas, ele se apresenta como diretor do banco e diz que Sergio Rial, o presidente da instituição, é seu chefe direto.

O comunicado do Santander diz também que a média de funcionários em trabalho presencial em seus prédios administrativos nas últimas semanas está em 20%.

Puga menciona no áudio uma reportagem da Folha sobre as reclamações dos funcionários que querem trabalhar em home office durante a pandemia. Ele diz que “é um absurdo uma crise deste tamanho estar na Folha”, porque o banco tem 50 mil funcionários, mas o problema abrange apenas 5% deles, conforme o relato do executivo, que não foi confirmado pela instituição.

“É um pouco injusto. Não é correto. Inclusive, o repórter da Folha foi convidado a visitar as dependências da nossa torre”, disse Puga.