“Partido Comunista Chinês usará crise mundial consequente da COVID-19 para ganhar influência territorial”

O Partido Comunista Chinês poderia tirar proveito das atuais crises que afetam as potências mundiais e aumentar sua influência sobre o Himalaia e mares do leste e sul da China nos próximos meses, arriscando-se a uma guerra, advertiu um importante analista estratégico australiano.

O diretor executivo do Instituto Australiano de Política Estratégica (Australian Strategic Policy Institute), Peter Jennings, alertou em abril passado que as intenções da China de obter soberania territorial sobre o território marítimo poderiam desencadear um conflito internacional total. Em abril, ele disse que os próximos 10 meses seriam os mais decisivos desde a 2ª Guerra Mundial.

Jennings disse: “A economia global pode estar em hibernação, mas a geopolítica está prosperando e acelerando em direção a uma crise potencial. O cerne do problema de segurança é o impulso do Partido Comunista Chinês para emergir da pandemia de COVID-19 estrategicamente mais forte na Ásia-Pacífico do que os EUA e seus aliados.”

O analista argumentou que isso pode ser atribuído às demonstrações de poder simbólicas do ditador da China, Xi Jinping.

“Xi moldou seu governo em torno da preparação para dois centenários críticos. O 100º aniversário da fundação do PCC é em 21 de julho do próximo ano. Neste momento, a aspiração de Xi é que a China esteja ‘moderadamente bem’. Em outubro de 2049, o centenário da tomada de poder do partido, a China será um ‘país socialista forte, democrático, civilizado, harmonioso e moderno’. Em Taiwan, a China tem mostrado movimentos militares para exercer seu domínio”, disse Jennings.

“O golpe de sabre de Pequim sobre Taiwan não é novidade, mas … vimos um aumento significativo da atividade militar chinesa e um intenso esforço de propaganda para isolar Taiwan e afirmar a primazia política na região”, continuou o analista.

Mas ele acrescentou que um “esforço preventivo para coagir Taiwan seria imensamente arriscado para Xi, mas os líderes sob pressão fazem coisas arriscadas, e Pequim tem uma longa história de impor os limites da tolerância regional – como acontece com a construção de ilhas no Mar do Sul da China – para ver o que pode acontecer”.

“O desafio para Washington, Camberra e outros aliados e parceiros é garantir que Xi calcule que este é um risco que não vale a pena correr”, concluiu.

Com as Filipinas, Vietnã, Malásia, Taiwan e Brunei também há reivindicações sobrepostas ao Mar da China Meridional. Caso o Partido Comunista Chinês torne a liberdade condicional para esses países em particular, poderá haverá um maior envolvimento dos EUA na questão, aumentando o risco de um conflito total.

Em um passado recente, há cerca de 20 anos, houve uma batalha naval na qual três navios chineses se enfrentaram com as canhoneiras da Marinha das Filipinas, nas ilhas Spratly – arquipélago desabitado no Mar do Sul da China. A soberania das Spratly é disputada pela China, Vietnã, Brunei, Malásia e Filipinas. Logo, há o risco de incidentes isolados poderem levar a grandes conflitos.

 

Com informações, ASPI.