Defensoria Pública aciona Magalu por ‘marketing de lacração’ com trainee para negros

A Defensoria Pública da União entrou com uma ação civil pública na Justiça do Trabalho contra o que chamou de ‘marketing de lacração’ da Magazine Luiza por criar um programa de trainees exclusivo para negros.

Para Jovino Bento Júnior, autor da petição, o programa em questão “não é medida necessária – pois existem outras e estão disponíveis para se atingir o mesmo objetivo [ inclusão social de negros e qualquer outro grupo] —, e nem possui proporcionalidade estrita — já que haveria imensa desproporção entre o bônus esperado e o ônus da medida, a ser arcado por milhões de trabalhadores”.

De acordo com ele, o “formato do programa se revela ilegal, sendo a presente, pois, para buscar a sua conformação com a legislação, compatibilizando-o com os direitos dos trabalhadores de acesso ao mercado de trabalho e de não serem discriminados […] isso não pode ocorrer às custas do atropelo dos direitos sociais dos demais trabalhadores, que também dependem da venda de sua força de trabalho para manter a si mesmos e às respectivas famílias.”

O processo cobra R$ 10 milhões de indenização por danos morais pela “violação de direitos de milhões de trabalhadores (discriminação por motivos de raça ou cor, inviabilizando o acesso ao mercado de trabalho)”.

O que diz Luiza Trajano

Nesta última segunda-feira, 5, a empresária Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza, disse em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, que teve conhecimento que poucos executivos negros ocupavam altos cargos na empresa.

Para contornar a situação, optou pelo programa de trainee exclusivo a pessoas negras.

“O racismo estrutural está inconsciente nas pessoas”, declarou.

E acrescentou:

“Temos que entender mais o que é racismo estrutural. O dia que entendi até chorei, porque sempre achei que não era racista até entender o racismo estrutural.”